Durante a semana de moda de Milão, enquanto os grandes desfiles concentram os olhares da imprensa internacional, uma parte essencial da indústria acontece em eventos paralelos espalhados pela cidade. Em um desses encontros, realizado no histórico Palácio Visconte, criadores, modelos e convidados se reuniram para apresentar coleções e estabelecer conexões que vão além da passarela.

Minutos antes do início, o ambiente já revelava a dinâmica do setor. Nos bastidores, equipes ajustavam peças manualmente, modelos finalizavam maquiagem e estilistas acompanhavam atentamente cada detalhe das produções. A atmosfera alternava entre concentração e expectativa — uma preparação silenciosa que antecede o momento de exposição pública das coleções.

Segundo a organizadora internacional e brand manager Sabrina Spinelli, o evento vem ampliando sua presença global ao longo dos anos. “Esta já é a 22ª edição, e o projeto cresce cada vez mais no cenário internacional. Hoje contamos com designers dos Emirados Árabes, Espanha, Israel, Estados Unidos e Itália, além da presença de diplomatas, cônsules e embaixadores”, explicou. De acordo com ela, apresentações desse formato funcionam como espaço de aproximação entre novos talentos, imprensa e profissionais do mercado, permitindo que marcas emergentes tenham visibilidade em um circuito tradicionalmente restrito.

Na passarela, os looks apresentaram forte presença de brilho, aplicações e tecidos estruturados. Mais do que peças individuais, as criações demonstravam a intenção de comunicar identidade e posicionamento. Para a designer Jackeline, da alta-costura, a coleção reflete a busca por expansão internacional. “Quero ganhar espaço e apresentar minhas peças em outros países, como Paris e Nova York. São criações de luxo que precisam alcançar novos mercados”, afirmou.

Já a designer Kelsey destacou a relação entre produção artesanal e acessibilidade. “O artesanato e a sustentabilidade são muito importantes para mim. Quero que toda mulher possa ter uma bolsa bonita, feita com material de qualidade, mas com preços acessíveis”, disse, ressaltando o cuidado no desenvolvimento das peças.

Ao longo do evento, ficou evidente que o desfile não representa apenas a exibição de roupas, mas uma etapa de validação profissional. Compradores, criadores de conteúdo e convidados especializados analisavam atentamente cortes, materiais e acabamento — aspectos decisivos para a circulação futura das peças no mercado.

Após o término da apresentação, o clima mudou. Com o relaxamento da tensão inicial, profissionais passaram a trocar contatos e impressões sobre as coleções. Esse momento, muitas vezes distante do público geral, revela uma das funções centrais da semana de moda: conectar pessoas, ideias e oportunidades dentro da indústria criativa.

https://www.revistavoix.com/wp-content/uploads/2022/03/logo.png - Entre tradição e espetáculo: Os bastidores de um desfile no Palácio Visconte durante a Milan Fashion Week. -

Mais do que espetáculo, a experiência no Palácio Visconte demonstrou que a moda contemporânea se sustenta tanto na estética quanto na construção de relações. Entre arquitetura histórica e propostas atuais, o evento evidenciou como tradição e inovação continuam caminhando juntas no cenário internacional.

Por: Flor Ferraz

Texto revisado por: Revista Voix

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