Trend Report: Fashion Network da Amora Fashion Hub.
Não é curioso como dizemos “networking” com a mesma leveza com que pedimos um café, como se fosse só mais uma palavra bonita do LinkedIn?
Dane-se. Não é.
Quando a Mirvana Andreis me enviou o link para o Fashion Network do Amora Fashion Hub, eu pensei duas coisas:
1. Que era uma oportunidade séria.
2. Que provavelmente ia sentir-me deslocada.
Convidei um amigo. Marca sustentável, dessas que não vivem de discurso bonito, fazem acontecer. Entramos em Lisboa com aquela mistura de expectativa e insegurança bem vestida. Por fora, postura. Por dentro, perguntas.
O espaço estava cheio. Conversas cruzadas. Petiscos sobre a mesa de madeira. Perfumes diferentes a disputar território no ar. Saltos altos. E eu a pensar: “Será que isto vai durar?”



A Mirvana apresentou um report sobre tendências, mercado, movimentos internacionais, vinda de Paris onde esteve a trabalhar. Falava com a segurança, atravessou muitos bastidores. Não era só moda. Era negócio. Era futuro. Adorei ouvi-la, ela e a Andreza Ramos que falou bem sobre as cores e suas interpretações na moda para o consumidor… Pantone é a cor do ano, mas também é acompanhada de rosa, amarelo, castanho, verde militar… enfim, vai ser um ano vivo e colorido já que também voltaram as estampas floridas.
E, de repente, o meu amigo já estava rodeado de contactos. Fornecedores. Criativos. Pessoas interessadas no seu trabalho, a sustentabilidade não como moda passageira, mas como estrutura. Eu via-o falar e crescer ao mesmo tempo. Aquilo era bonito de assistir. Quase íntimo.
Percebi uma coisa ali: autoestima não é só olhar para o espelho e gostar do que vês.
É entrar numa sala onde ninguém te conhece e ainda assim decidir ocupar espaço.
Depois do evento, fomos celebrar. Seis pessoas. E 3 nacionalidades diferentes: Moçambique, Portugal e Brasil. Mesa, carpaccio fresco a desfazer-se na boca, vinho a aquecer a conversa, gargalhadas que não paravam e literalmente ri enquanto as lágrimas me caíam, consegue imaginar?


Falamos de adolescência e dias atuais, nenhuma de nós quer as histórias que contamos naquele momento espalhadas por aí, o que acontece em Vegas…
Eu olhava à volta e pensava: somos desconhecidas. Vivemos realidades distintas. Mas, por alguma razão, partilhamos as mesmas experiências.
E é isso que conecta mulheres fortes.
Não é o currículo.
Não é o número de seguidores.
Não é o blazer estruturado.
É a vulnerabilidade que se transforma em ambição.



Para ti, que és mãe ou não. Que empreendes ou estás só a tentar perceber por onde começar. Que já duvidaste de ti mais vezes do que gostarias de admitir.
Networking não é bajular.
É reconhecer valor. No outro. E em ti.
É sentar-te à mesa mesmo quando a tua autoestima ainda está a aprender a andar de saltos.
Naquela noite, enquanto brindávamos, eu pensei nas mulheres que acham que não estão “prontas” para estes espaços. Que precisam de mais dinheiro, mais contactos, mais confiança.
Não precisam.
Precisam de entrar.


Lisboa está a tornar-se um palco interessante para quem quer construir algo único. E identidade não se compra. Constrói-se. Em conversas honestas. Em trocas reais.
Saí de lá com contactos? Sim.
Mas saí, sobretudo, com uma confirmação: não estamos sozinhas nas nossas dúvidas.
E talvez o verdadeiro luxo não seja o evento.
Seja a coragem de aparecer lá.
Mesmo com medo.
Por: Normah
Texto revisado por: Revista Voix
Redes Sociais & Contato:






