Dominique Alves – Desenvolvimento Psíquico e Emocional.
Uma das homenageadas de 2025 a psicóloga Dominique Alves, e a renomada psicanalista Dilma se unem para compartilhar reflexões profundas e práticas sobre os transtornos do humor e da personalidade. Em um workshop que promete unir ciência, escuta e transformação, elas trazem conteúdos que tocam tanto o saber técnico quanto o cuidado humano. Prepare-se para uma jornada de conhecimento e sensibilidade — onde teoria e afeto caminham lado a lado.
Considerações acerca do Desenvolvimento Psíquico e
Emocional
No decorrer do texto, serão elencados alguns pontos sobre possíveis aspectos interligados ao desenvolvimento da inteligência emocional. Para tanto, alguns questionamentos serão examinados:
Todos os sujeitos são capazes de executar comportamentos socialmente aceitos? As estruturas psíquicas são determinantes para os comportamentos e estratégias pessoais no que diz respeito à Inteligência Emocional e seus feitos? E ainda, quais são os pilares que compõem a Inteligência Emocional?
Para pensarmos o desenvolvimento humano, se faz necessário a investigação das fases do desenvolvimento infantil, período estruturante da vida psíquica, lembrando que, para muitos teóricos, o adulto é a significação da sua própria infância. No cotidiano, percebemos internamente ou em grupos, diferentes comportamentos relacionados à alteração de humor, ou à troca repentina de sentimentos, logo, de comportamentos: amor e ódio, carinho e repulsa, felicidade e tristeza.
Ou seja, falamos sobre a ambivalência. É válido relembrar os termos de M. Klein, sobre ambivalência: A ambivalência evoca a atitude fundamentalmente ambivalente do sujeito em sua relação com o objeto, que lhe surge qualitativamente clivado em “objeto bom” e “objeto mau”.


Ainda neste sentido, Chemama segue descrevendo sobre o termo ambivalência e suas ligações atreladas ao desenvolvimento infantil (fases, que serão descritas nas próximas páginas). “No advento de tais conflitos, o amor e o ódio constituem, no caso, uma das oposições mais decisivas. A ambivalência também surgiria como um fator ligado constitutivamente a certos estágios da evolução libidinal do sujeito, onde coexistem, ao mesmo tempo, moções pulsionais contraditórias. Sejam, por exemplo, a oposição amor-destruição, da fase sádico-oral, e a da atividade-passividade, na fase sádico-anal. Nesse sentido, a ambivalência está, então, articulada diretamente à dinâmica pulsional.
Mas será que os comportamentos da vida adulta são escolhidos, ou reflexos da infância e adolescência?
Sobre a fase do desenvolvimento infantil: Oral, Chemama percorre os seguintes escritos: A fase oral se caracteriza por uma organização sexual “canibal”, durante a qual a atividade sexual não se separa da função de devoração: as duas atividades visam à incorporação do objeto (protótipo da identificação ulterior), de forma que, nessa fase, a pulsão oral é apoiada pela função digestiva.
A sucção logo surge como “um vestígio” desse grau inicial da fase, pois consagra a separação das atividades sexual e alimentar, substituindo o objeto externo por uma parte do corpo do sujeito; portanto, esse ato repetitivo, encarregado de obter prazer, torna-se auto-erótico — a zona bucal-labial é então designada zona erógena. Freud atribui uma importância capital a essa primeira parte da fase oral, para a determinação da futura vida sexual.
A segunda fase, que se segue à oral, é a sádico-anal, regida pela erogeneidade da zona anal; essa organização libidinal está ligada às funções de expulsão-retenção, constituindo-se em torno da simbolização das matérias fecais, objeto que se separa do corpo, da mesma forma que o seio.
Nos escritos de Chemama, ao que diz respeito à FASE FÁLICA: “Fase da sexualidade infantil, entre os 3 e os 6 anos, na qual, em ambos os sexos, as pulsões se organizam ao redor do falo. Todavia, é verdade que o falo possui, como significante, um papel determinante para o sujeito, desde o início da vida, o que pode fazer com que se hesite em isolar uma fase fálica, enquanto tal.

A fase fálica é a fase característica do ápice e declínio do complexo de Édipo, marcada essencialmente pela angústia de castração. Tanto na menina como no menino, essa fase sucede as fases oral e anal, em uma unificação das pulsões parciais sobre a região genital, representada pelo falo; em ambos os sexos, o que caracteriza essa fase é tê-lo ou não tê-lo: “De fato, essa fase só conhece um único tipo de órgão genital, o órgão masculino”.
Essa instalação um tanto tardia da fase fálica representa, para Freud, uma transição de sua descrição inicial: desorganização das pulsões sexuais pré-genitais, em oposição à organização genital do adulto.
Essa fase fálica é regida pelo signo da castração, o que impõe a questão, em sua relação ao Édipo, da própria existência dessa fase: a descoberta, pela menina, da falta do pênis (a inveja do pênis determinando a assimetria, tendo em vista as relações parentais, entre menino e menina), podendo também ser classificada mais em uma perspectiva de intersubjetividade do que de acesso a uma fase.
Fase esta que terá uma reedição durante a adolescência, e caso a primeira etapa tenha sido satisfatória, em sua reedição, os conflitos serão menores. É fundamental mencionar as construções psicanalíticas sobre o complexo de Édipo e complexo de Electra. Chemama informa que: “A descrição que fornece, em Esboço de psicanálise (1940), permite apreciar como o complexo de Édipo está ligado à fase fálica da sexualidade infantil. “Quando o menino (por volta dos 2 ou 3 anos) entra na fase fálica de sua evolução libidinal, tem sensações voluptuosas, provenientes de seu órgão sexual, e aprende a buscá-las por si mesmo, pela excitação manual, apaixonando-se então pela mãe e desejando possuí-la fisicamente, da maneira como suas observações de ordem sexual e sua intuição lhe permitiram adivinhar.”
Procura seduzi-la, exibindo-lhe seu pênis, cuja posse o enche de orgulho; em uma palavra, sua virilidade, cedo despertada, incita-o a querer substituir seu pai junto a ela, o qual, até aquele momento, tinha sido um modelo, devido à sua força física evidente e à autoridade da qual era investido; agora, o filho considera seu pai como um rival. Então, uma questão interessante está sobre a dissolução do complexo de Édipo, ou seja, de que forma a criança poderá superar este período de forma satisfatória? Através da castração? É válido investigar sobre o termo e sua operação no psiquismo.
A castração poderá ocorrer ou não. Sabemos que a não operação da castração trará danos irreversíveis ao sujeito. O desenrolar de pontos cruciais para uma estruturação psíquica está ligado ao percurso de cada sujeito.
Por fim, sobre a Latência: “Período da vida sexual infantil, dos 5 anos de idade até a pré-adolescência, durante o qual, normalmente, as aquisições da sexualidade infantil mergulharam normalmente no recalcamento.” É válido ressaltar que o intelecto e a cognição também são atributos que compõem o desenvolvimento humano e estão ligados ao aparelho físico neurológico.

Já o aparelho psíquico está dentro de um lugar “simbólico” composto por muitos fatores, como estamos vendo nos escritos em questão. O todo deste desenvolvimento é o que será possível a cada sujeito, e que dará possibilidades para relações e compreensões internas.
Descritas as formações psíquicas, adentramos em questões comportamentais através de uma outra ótica. Enfoque sobre a inteligência emocional.
Contribuições de Goleman:
1. Conhecer as próprias emoções. Autoconsciência — reconhecer um sentimento quando ele ocorre — é a pedra de toque da inteligência emocional.
2. Lidar com emoções. Lidar com os sentimentos para que sejam apropriados é uma aptidão que se desenvolve na autoconsciência.
3. Motivar-se. As emoções a serviço de uma meta são essenciais para centrar a atenção, para a automotivação e o controle, e para a criatividade.
4. Reconhecer emoções nos outros. A empatia, outra capacidade que se desenvolve na autoconsciência emocional, é a “aptidão pessoal” fundamental.
5. Lidar com relacionamentos. A arte de se relacionar é, em grande parte, a aptidão de lidar com as emoções dos outros.
Reconhecer e elaborar sentimentos é fundamental para que o sujeito consiga pensar antes de realizar algo, sobretudo acolher o que está sentindo, dentro de suas possibilidades. Tais possibilidades geram mais autonomia e prazer por se sentir capaz de realizar pequenos e grandes feitos em relações internas e externas no cotidiano.

Na medida em que isto ocorre, a comunicação e a ambivalência também são pontos que passam a ter novos destinos, positivos. Ainda sobre a inteligência emocional, Goleman percorre os seguintes escritos: “Todas as emoções são, em essência, impulsos, legados pela evolução, para uma ação imediata, para planejamentos instantâneos que visam lidar com a vida.”
- Na raiva, os comportamentos normalmente são regidos por impulsos.
- No medo, o cérebro dispara hormônios que põem o corpo em alerta geral, tornando-o inquieto e pronto para agir.
- A atenção se concentra na ameaça imediata, para melhor calcular a resposta a ser dada.
- Na felicidade, o cérebro favorece o aumento da energia existente, silenciando aqueles que geram pensamentos de preocupação.
- No amor, prevalecem os sentimentos de afeição e a satisfação.
- Na surpresa, o campo visual fica mais amplo e também gera mais luz para a retina. Fazendo com que tenhamos mais informação sobre um acontecimento; na repugnância, representa alguma coisa que desagradou ao gosto ou ao olfato, real ou metaforicamente. Normalmente também expressada por meio de expressão facial.
- A tristeza normalmente está conectada à perda e decepção significativa. Gera a perda de energia e de entusiasmo, podendo chegar a quadros ou transtornos depressivos.
Acreditamos que, frente ao desenvolvimento psíquico, cada fase apresenta formações psíquicas que podem, ou não, ser elaboradas. Em alguns casos, o próprio contexto familiar se faz responsável por ser o suporte da criança neste sentido, mas, em alguns casos, a ajuda de um profissional capacitado para a escuta psíquica é fundamental e organizadora.
Existem ainda as estruturas psíquicas mais regressivas, onde a vida psíquica porta um percurso sem elaborações e castrações, dentre outros elementos, e nestes casos, a capacidade do desenvolvimento de habilidades emocionais e sociais é delicada, podendo até mesmo ser restrita, chegando às psicoses e perversões.
Outras situações relevantes são em períodos de fragilidades psíquicas: depressão, estresse pós-traumático, compulsões, lutos… O desenvolvimento psíquico e emocional de um sujeito pode ser amplamente acolhido e potencializado por profissionais especialistas em psicologia, neurologia e psicanálise. Auxiliando através de conduções sublimatórias, transitivismo, semblante do analista e transferência.
Fonte:
Chemama, Roland
Dicionário de psicanálise / Roland Chemama;
trad. Francisco FrankeSettineri. — Porto Alegre:
Artes Médicas Sul, 1995.
Psicanálise— Dicionário I. Título
CDU 159.964.2(03)
Goleman, Daniel Inteligência emocional
[recurso eletrônico] / Daniel Goleman ; tradução Marcos
Santarrita. – Rio de Janeiro : Objetiva, 2011. recurso
digital
Por: Dominic Alves
Texto revisado por: Revista Voix
Redes Sociais & Contato: