Por trás de cada fio de cabelo existe uma estrutura biológica complexa, formada principalmente por proteínas e organizada para proporcionar resistência, elasticidade e proteção. Compreender essa estrutura é fundamental para entender como os procedimentos químicos interferem na fibra capilar.

A fibra capilar é constituída, predominantemente, por queratina, uma proteína rica em aminoácidos que apresenta diferentes níveis de organização molecular. Externamente está a cutícula, formada por camadas sobrepostas de células queratinizadas que funcionam como uma barreira protetora. Abaixo dela encontra-se o córtex, responsável pela maior parte da massa do fio e por propriedades como resistência, elasticidade, forma e pigmentação. Em alguns fios existe ainda a medula, localizada na região central, cuja presença e continuidade podem variar.

https://www.revistavoix.com/wp-content/uploads/2022/03/logo.png - Cléia Emília - A ciência por trás do fio: anatomia, composição e química da fibra capilar. -

No interior da fibra, a queratina apresenta uma organização estrutural altamente especializada. As ligações dissulfeto, formadas entre resíduos de cisteína, têm papel importante na resistência e na configuração do cabelo. Também participam dessa estrutura ligações de hidrogênio e outras interações moleculares, que contribuem para a estabilidade da queratina.

É justamente nessa arquitetura que os processos químicos atuam. Na descoloração, agentes oxidantes promovem reações que degradam os pigmentos naturais, principalmente a melanina, permitindo a obtenção de tons mais claros. Entretanto, a reação oxidativa não se limita ao pigmento: dependendo da concentração, do tempo de exposição, do pH e da condição prévia da fibra, também pode provocar alterações em proteínas, lipídios e componentes da cutícula.

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Nos alisamentos químicos, o objetivo é modificar a organização estrutural da queratina e, consequentemente, a forma da fibra. Diferentes tecnologias químicas atuam por mecanismos distintos, podendo alterar ligações responsáveis pela conformação do cabelo. O resultado visual é uma mudança na geometria do fio, mas, biologicamente, trata-se de uma transformação da estrutura molecular da fibra.

Quando a cutícula sofre alterações, aumenta a permeabilidade e a capacidade de absorção de água e substâncias químicas. Quando o dano alcança regiões mais internas, especialmente o córtex, podem ocorrer mudanças nas propriedades mecânicas, como resistência à tração, elasticidade e capacidade de suportar novos procedimentos.

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Por isso, cabelo bonito não é apenas uma questão estética: é também uma questão de estrutura, química e ciência. Conhecer a anatomia da fibra capilar permite compreender seus limites, interpretar suas respostas aos procedimentos e tomar decisões técnicas mais seguras e precisas.

A verdadeira tecnologia da beleza começa quando deixamos de enxergar o cabelo apenas como aparência e passamos a compreendê-lo como uma estrutura biológica complexa, dinâmica e quimicamente reativa.

Cléia Emília


Especialista em loiros e lisos, Tricoterapeuta Capilar.

Instagram: @ cleialuxehair

Telefone: (351) 912014747

Por: Revista Voix

Texto revisado por: Revista Voix

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