Sinto-me particularmente “Fancy” quando percebo que li um livro aleatório e posso usar como base para justificar as minhas opiniões.

Biologicamente e emocionalmente, o teu cérebro nunca vive o mesmo dia duas vezes. Como refere Norman Doidge, estamos em constante mudança. E ainda assim… vivemos como se tudo fosse repetição. Já pensaste nisso?

E mesmo assim, tantas vezes entramos em piloto automático.

Sem nos permitirmos viver , aprender e ou sentir o novo.

Hoje isso ficou impossível de ignorar.

O encontro aconteceu na Câmara de Comércio e Indústria de Portugal, em Lisboa um espaço cheio de formalidades foi inundado pela criatividade e energia feminina.

Fui convidada pela Nirvana para fazer parte da equipa dos modelos, incrível! Sabes o que é ainda mais impressionante? A Balbina Alves, a produtora do desfile? destacou-me para abrir o desfile, como se diz? “Ai que chique”

Isso, por si só, já diz muito: não foi apenas um evento. Foi uma rede de pessoas, visão e construção.

Conheci mulheres incríveis.

Mulheres 40+, cheias de sonhos, coragem e ousadia.

A Sabrina, por exemplo, começou a surfar depois dos 40 e desfilou pela primeira vez neste dia.

E havia algo no brilho dela que não se ensina, vive-se.

Vi também mulheres em constante reinvenção, que não aceitam limites impostos pelo tempo ou pela sociedade.

E a Nirvana… foi quem me abriu esta porta.

Um convite que me colocou num espaço de crescimento, fora da zona confortável. Ela estava lá, e, para mim, ela representa muito mais do que amizade. Ela é o meu contacto mais próximo com o mundo da moda e com as suas tendências.

A Amora Fashion Hub, representada pela Gabriela, trouxe também essa energia de elegância descontraída, de moda com identidade. E no meio de tudo isto… a vida real. Atrasos. Improvisos. Bastidores.

Porque se o cérebro muda todos os dias, então não existe “dia estragado”.

Existe apenas um dia diferente do esperado.

Entre maquilhagem, ensaios e preparação nos bastidores, vivi também o desfile, pela segunda vez a subir à passarela. E podia ter sido caótico, não sou modelo, de todo.

Mas escolhi ver de outra forma, viver este momento.

O que me marcou profundamente foi a diversidade real daquele espaço.

Nada de padrões irreais.

Mulheres com corpos diferentes, histórias diferentes, idades diferentes e isso é moda com verdade.

As peças foram pensadas para o dia a dia. Para mulheres reais. Para vidas reais.

E isso é raro.

Houve também um momento que não esqueço.

Uma mulher do Sri Lanka. Mãe de três filhos. Empreendedora. Stylist. A construir a sua própria marca, a Romina fala várias línguas, e nenhuma é português. Uma mulher com o mundo ao seu alcance, estava insegura.

Antes de subir ao palco, atrás da cortina azul-marinho, numa pequena sala à beira da entrada principal, o nervosismo dela era visível.

E foi bonito ver o que aconteceu depois.

Mulheres a apoiar mulheres.

Medos partilhados a serem suavizados em encorajamento.

E isso foi talvez o momento mais humano de todos.

No fim, o evento prolongou-se mais do que o previsto. Houve impaciência, houve espera.

Mas também houve risos. Brincadeiras. Leveza.

E é esse o mundo onde quero estar.

Um mundo em que mulheres não competem, constroem.

Hoje ficou ainda mais claro:

Nada pode parar uma mulher consciente de que o presente é tudo o que existe.

Porque a verdade é simples:

Os dias não se repetem.

O café pode ser o mesmo.

A rua pode ser a mesma.

Mas tu… já não és.

E talvez o problema nunca tenha sido a vida.

Talvez tenha sido a forma distraída como a vivemos.

Porque quando te voltas a sentir… até o que é igual acontece pela primeira vez.

Por: Normah

Texto revisado por: Revista Voix

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